LITERATURALouco e loquazA geografia sentimental de Daniel Perroni Ratto em Marte mora em São Paulo
Por Pedro Silva
A poesia está no desatino.
Assim aprendemos com Gregório de Matos, com Waly Salomão (o próprio avatar pós-moderno do "Boca do Inferno"). E é o desatino, a loucura e a loquacidade que dão o tom da poesia de Daniel Perroni Ratto em Marte mora em São Paulo (Ed. A Girafa, 136 pgs., R$ 27,00), livro com lançamento amanhã.
“Só eu sei que Marte Mora em São Paulo”

O fôlego do verso longo identifica uma genealogia poética com figuras como um Mário de Andrade e um Roberto Piva, duas das vozes que cantaram o eu clivado na maior cidade do país.
Diferente da desses poetas, a São Paulo de Ratto é, porém, reinventada — ora em geografia sentimental, ora em movimento sideral: o poeta surfa em ondas no Trianon, e traça um caminho para além, afinal, "A correnteza é forte/ Escala do avião a pensar/ Vou até Marte!".
A loucura que irmana: "Só sei que somos loucos".

Daniel, o autor.
Loquaz, verboso, falador, o poeta ora se mostra “queredor palaciano”, ora poeta licencioso — mas este consciente de uma nova licenciosidade: "O erotismo não é mais o mesmo!/ O cibernético implante biônico/ o chip de contrabando implantado/ o sexo virtual inflável".
Do amor, o querer e as mil possibilidades (“Eu quis tudo pra você/Até a estrela do mar”), as lições aprendidas (“Tive um amor uma vez/ Que me entendeu/ Beijar o Louco Ser normal me fez/ Perceber além do breu").
Para ver além desse breu, a poesia loquaz, louca de Daniel Perroni Ratto! O lançamento ocorre amanhã na Livraria Martins Fontes (Avenida Paulista, 509) a partir das 18h30.
|