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'The Walking Dead' chegou ao término de seu terceiro ano sem sair do lugar, especialmente nos últimos oito episódios

Personagens novos foram bem estabelecidos e suas histórias bem expressadas nessa temporada

Por Rodrigo Ramos

Desde a sua primeira temporada, The Walking Dead é campeã de decepcionar os seus espectadores. Na primeira, o season finale foi extremamente decepcionante. A segunda teve problemas em todo o seu desenrolar, monótono, que pegou embalo apenas na reta final e nos deixou com aquele gostinho de quero mais. A terceira temporada pode ser facilmente dividida em duas. A parcela de episódios de 2012 trouxe tudo o que a série tinha de bom à tona e fez com que ela entrasse no patamar dos melhores seriados na TV atual. Já a parcela de 2013 foi enrolando, deixando tudo em banho-maria, até que o season finale veio para destronar o programa da lista das melhores coisas da televisão na temporada.

 

                 AMC/divulgação

 

Os oito primeiros episódios desta temporada foram precisos em diversos aspectos. O primeiro deles foi conseguir instalar os personagens em um novo cenário – o presídio – e fazer com que ele fizesse parte importante da série, se tornando tão revelante quanto um personagem, além de trazer sempre novos perigos e desafios para o elenco. Basicamente, tudo gira em torno daquele lugar e os roteiristas fazem isso direitinho ao longo de toda a temporada. Ao mesmo tempo em que a prisão se torna palco principal, não menos importante é Woodbury, a cidade perdida aonde ainda há um número considerável de sobreviventes e que vivem em harmonia, em paz, isolados dos zumbis – estes, presos do lado de fora dos muros e portões gigantes da cidade. Em pequenos passos, ela vai se consolidando e se tornando relevante para a trama. Tudo naquele lugar é perfeito demais e, como é de se esperar, o tal Governador (David Morrissey) tem uma face obscura que poucos conhecem.

 

                 AMC/divulgação

 

Os personagens novos foram bem estabelecidos e suas histórias bem expressadas na tela. Entendemos como funciona o senso cruel e controverso das ações do Governador e ganhamos cada dia mais simpatia por Michonne (Danai Gurira), a mulher que ostenta uma espada inseparável e que ajuda Andrea (Laurie Holden) a sobreviver após se separar do grupo liderado por Rick (Andrew Lincoln). Enquanto isso, os personagens sobreviventes das temporadas anteriores mostram-se melhores em diversos aspectos. Eles se tornam figuras tridimensionais de uma forma que antes não ocorria. Os roteiristas arredondaram e passaram verniz nos personagens. Agora os dramas, as tensões, os temores, as motivações e as ações parecem genuínas, sendo levadas cada vez mais ao extremo. A sensação é de que o cerco vai se fechando cada vez mais para eles e a probabilidade de morrem ou terem um surto psicótico ou psicológico é grande. Ou seja, finalmente a série fez o que não conseguia antes: tornar todos interessantes, capazes de fazer com que o espectador realmente sinta as emoções deles e se identifique com cada pessoa em cena.

 

                 AMC/divulgação

 

Ainda sobre os personagens, a série consegue desenvolvê-los bem e é notável a evolução deles, seja do pequeno Carl (Chandler Riggs) ou de Andrea, que se antes era desprezível, nesta temporada se torna uma das melhores em cena.

 

                 AMC/divulgação

 

A primeira metade da temporada é certeira em tudo o que faz. Diferente da temporada anterior, esta é objetiva e não fica dando voltas em torno de um assunto. Quando precisa resolver uma situação, ela vai lá e pronto. Coloca um ponto final. “Made to Suffer“, o oitavo episódio da série, culmina em uma situação extrema, sendo o primeiro confronto com o pessoal da prisão contra Woodbury. O melhor capítulo de toda a série. Com ele, os fãs esperaram alguns meses até ver no que isso iria resultar. E eis que The Walking Dead começa a jogar tudo pelo ralo.

 

                 AMC/divulgação

 

Os outros oito episódios complementares fizeram o que os primeiros não fizeram. Mantiveram um ritmo narrativo mais lento, não priorizaram tanto a ação e ficando muito mais no falatório. Em alguns momentos, a tática funcionou. Foi dada a oportunidade de os personagens se entrosarem e se familiarizarem, como é o caso de Rick e Michonne, uma parceria que ainda irá render bons frutos à série. Destaque também para o duelo verbal entre Rick e o Governador, num episódio em que este fora o único atrativo. O problema desta segunda parte é não saber dosar equivalentemente os pontos mais baixos e os altos.

 

                 AMC/divulgação

 

Os episódios que antecedem o esperado season finale com o iminente confronto entre o exército de Woodbury e o grupo da prisão, Governador contra Rick, não são ruins isoladamente, pois as tramas se sustentam, mas acabam passando a impressão, num contexto geral, que serviram apenas para preencher o espaço entre o meio da temporada e o seu desfecho com “Welcome to the Tombs“.

 

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Ah, o episódio final. The Walking Dead, depois de ousar bastante, matar personagens, trazer mais violência e mortes de zumbis, desenvolver seus personagens com louvor, eis que o caminho optado foi o mais covarde possível. O final da temporada é decepcionante. O ponto positivo é ver o Governador simplesmente perdendo a cabeça. David Morrissey honrou o papel do maior vilão da série até agora – e também dos quadrinhos. O Governador chega num nível de loucura no padrão Hitler. Contudo, é só isso que há de interessante para se ver neste desfecho.

 

                 AMC/divulgação

 

O tão aguardado ataque do Governador e seu exército inicia promissor, mas acaba rapidinho. Vários homens batem em retirada por conta de dois atiradores na prisão. Exato. Dois atiradores. Não faz sentido nenhum recuar por conta disso. Nem de longe a missão estava perdida ou o grupo de Woodbury estava em menor número ou com menos armamento. Mas como diria Gloria Perez, quem não entende direito, não sabe voar. Pois bem, atualmente estou sem minhas asas.

 

                 AMC/divulgação

 

No fim das contas, o ataque à prisão leva uns cinco minutos e termina. Acho que a maior reviravolta deste final é não termos o confronto entre Rick e Governador. Além disso, os personagens principais se mantém no mesmo lugar, com um adicional de sobreviventes da cidadezinha. E o Governador? Sumiu. Foi pra onde? Ninguém sabe. O que sabemos é que na temporada que vem teremos mais dele, e mais presídio. Ou seja, The Walking Dead chegou ao término de seu terceiro ano sem sair do lugar, especialmente nos últimos oito episódios. Estes foram apenas alegóricos, peças que sobraram no jogo e não acrescentaram basicamente nada. Foi covarde e broxante. Nem o fã mais apaixonado pela série conseguiu ficar satisfeito com o desfecho. Faltou pulso firme e convicção de que The Walking Dead poderia estar entre as cinco melhores séries da TV – mas por suas escolhas equivocadas e mais fáceis, mostrando pouca ousadia, o seriado acaba sendo a sua própria ruína.

 

 

The Walking Dead: Season Three
EUA, 2012/2013
Drama/Ação/Terror
16 episódios

Desenvolvido por:
Frank Darabont
Baseado na série de graphic novels de:
Robert Kirkman, Tony Moore, Charlie Adlard
Elenco:
Andrew Lincoln, Sarah Wayne Callies, Laurie Holden, Norman Reedus, Steven Yeun, Lauren Cohan, Chandler Riggs, Danai Gurira, Michael Rooker, David Morrissey, Melissa McBride, Emily Kinney, Lew Temple, Dallas Roberts, Jose Pablo Cantillo, Melissa Ponzio, Scott Wilson

Lista de episódios:
3×01: Seed
3×02: Sick
3×03: Walk With Me
3×04: Killer Within
3×05: Say the Word
3×06: Hounded
3×07: When the Dead Come Knocking
3×08: Made to Suffer
3×09: The Suicide King
3×10: Home
3×11: I Ain’t A Judas
3×12: Clear
3×13: Arrow On The Doorpost
3×14: Prey
3×15: This Sorrowful Life
3×16: Welcome to the Tombs

4 STARS

 

 

 

 





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